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“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.” Gosto muito desta frase do jurista Rui Barbosa.

Pouco mais de quatro anos se passaram desde o início da operação Lava Jato, o dia em que o Brasil começou a mudar, em 17 de março de 2014. Esta data tem que que ser lembrada sempre como o dia em que começamos a tampar o ralo que nos faz perder R$ 200 bilhões por ano com corrupção, segundo o Ministério Público Federal.

Munidos de 81 mandados de busca e apreensão, 28 de prisão e 19 de condução coercitiva, os agentes da Polícia Federal chegaram à empresa Costa Global, ligada ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e de lá para cá temos até ex-Presidente da República na cadeia. Conseguimos a condenação de politicos, que deixaram de ter foro privilegiado por prerrogativa de função e passaram a ser julgados pela primeira instância da Justiça. Temos que continuar nossa luta pelo fim do foro privilegiado se queremos varrer a corrupção de nosso país, continuar criando nossos filhos e morando por aqui.

Em quatro anos, foram registrados 395 pedidos de cooperação internacional com 50 países. O mundo agora ficou pequeno para estas pessoas que não pensam no interesse publico. A história mostra que corrupção não é uma invenção brasileira e nasceu junto com a espécie humana mas a impunidade era, até recentemente, e infelizmente, uma coisa muito nossa. Esta informação não é um remédio para atenuar a nossa dor mas uma constatação deste câncer. No Brasil, a partir do final da década de 70, acrescidos dos anos 80 e 90, com intenso movimento, e todos os récordes batidos no governo do PT, lá se vão 50 anos de corrupção em nossa biografia recente, sem precisar ir lá atrás nos idos do descobrimento e da distribuição de benesses. Alguém teria que ser muito bom de matemática para multiplicar o dinheiro desviado por ano vezes o número de anos e chegarmos ao verdadeiro custo da corrupção de nossos princípios, parafraseando Montesquieu.

O Estadão tem um aplicativo chamado “De Real para Realidade “ que nos faz visualizar melhor estes números gigantescos, convertendo automaticamente valores informados em denúncias ou suspeitas de desvios em bens ou investimentos públicos. Com uma denúncia de desvio de R$ 52 milhões, por exemplo, a ferramenta mostra que esse valor poderia significar 433.333 vacinas H1N1, 631 ambulâncias ou ainda 0,176 km de linhas de metrô.

As regras de prevenção e repressão à corrupção existem. Uma prova disso é Lula, Cabral, Eduardo Cunha e vários outros na cadeia. É preciso vontade para torná-las efetivas. Vontade é o que não falta a milhões de nós. Fomos às ruas protestar. Milhões de nós. Colhemos o que plantamos. Conseguimos. Estamos tirando um por um de nossa frente para sempre.

A população está vendo, aos poucos, o poder que tem. A corrupção mexe com a nossa auto-estima. Pelos grupos de zap, videos que circulam e nas ruas, hoje já vemos brasileiros que estão fazendo acontecer, se recusam a fazer parte deste antigo Brasil e a ceder a extorsões. Assim retomaremos a tão sonhada confiança no estado do direito, na aplicação geral e imparcial da lei e na democracia. A ideia básica da democracia em um estado de direito é a de que todos são iguais e livres perante a lei e que, como consequência, as regras legais serão aplicadas a todos, governantes e governados. independente do tamanho da conta bancária e da quantidade de amigos poderosos que tenha na corte.

Estamos em ano de eleições. Os tempos atuais oferecem uma oportunidade sem igual de fazermos um novo Brasil. É preciso que a iniciativa privada e a sociedade civil organizada repudiem a propina. É simples: basta obedecermos as leis. Ninguém engana todo mundo para sempre e um dia esta farra chegaria ao fim. Chegou. Mais importante do que sabermos onde vamos chegar é a certeza de que estamos no caminho.

Quer me ajudar a renovar o Rio?

 

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